Morre em São Luís, aos 75 anos, o radialista Robson Neri, o eterno “Garoto do Bigode”
Informações G7MA e Gilberto Leda
São Luís perdeu nesta quinta-feira (25) uma das vozes mais conhecidas e folclóricas do rádio esportivo maranhense. Morreu, aos 75 anos, o radialista Sebastião Edson de Paula Neri, eternizado entre colegas, ouvintes e amigos como Robson Neri – o inesquecível “Garoto do Bigode”.
O ex-radialista conhecido em todo o Nordeste como Robson Neri, estava internado havia cerca de 30 dias em um hospital localizado no bairro do Olho d’Água, em São Luís, após complicações decorrentes de um grave problema neurológico que evoluiu para um Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Robson já havia enfrentado sérios problemas de saúde entre 2019 e 2020, quando precisou ser internado na capital maranhense, mas conseguiu se recuperar. Desta vez, porém, não resistiu após o agravamento do quadro clínico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Dono de um estilo irreverente, carismático e popular, Robson construiu uma trajetória que ultrapassou os estúdios de rádio e alcançou gerações de ludovicenses também como empreendedor, sendo lembrado pelo tradicional lanche que se tornou referência na Praça Deodoro, no Centro da capital maranhense.
O rádio maranhense se despede de um profissional que transformava transmissões esportivas e programas de rádio em espetáculo. Era daqueles comunicadores que prendiam o ouvinte ao pé do rádio, independentemente do placar ou da qualidade do jogo.
Ao longo da carreira, passou por importantes emissoras como Rádio Gurupi, posteriormente transformada em Maranhão FM, além da Rádio Timbira e da Rádio Educadora, emissoras que nasceram no tradicional formato AM e posteriormente migraram para FM.
Figura marcante da comunicação maranhense, Robson Neri viveu o auge da carreira entre as décadas de 1970 e 1990, destacando-se como um dos principais narradores esportivos da região e chegando a comandar a equipe de esportes da extinta Rádio Ribamar AM.
Entre suas marcas profissionais, Robson Neri ficou conhecido por utilizar um modelo de transmissão esportiva que se popularizou antes da era digital, realizando coberturas chamadas de “off-line”, feitas a partir da narração e acompanhamento por outras fontes de áudio — uma alternativa que exigia experiência, improviso e grande capacidade de comunicação em uma época sem internet e sem plataformas de vídeo.
Em 1990, decidiu deixar o rádio após desavenças nos bastidores das emissoras e passou a empreender no comércio.

Conhecido pela baixa estatura, personalidade extrovertida e pelo inseparável bigode, transformou o apelido “Garoto do Bigode” em uma marca reconhecida pelo público. Inicialmente, abriu uma lanchonete na Praça Deodoro, no Centro de São Luís, onde por 26 anos vendeu pizzas acompanhadas de caldo de cana. Nos últimos anos, adaptou o negócio para o comércio ambulante, percorrendo avenidas e mercados da capital em um veículo adaptado para a venda de caldos e coxinhas, mantendo o carisma que o tornou popular entre os clientes.
O falecimento de Robson Neri gerou comoção entre profissionais da comunicação. Em nota de pesar, o Sindicato dos Radialistas do Maranhão (Sinrad-MA) lamentou a perda do comunicador.
“É com profundo pesar que o Sindicato dos Radialistas do Maranhão recebe a notícia do falecimento do nosso querido companheiro Robson Neri, carinhosamente conhecido por todos como ‘O Garoto do Bigode’.”
A entidade destacou que Robson foi mais do que uma voz marcante nas ondas do rádio: tornou-se um símbolo da comunicação maranhense, reconhecido pelo estilo próprio, pela proximidade com o público e pela dedicação ao ofício.
Profissional respeitado dentro e fora dos microfones, Robson também atuou no setor comercial e construiu relações de amizade e admiração ao longo de décadas de trabalho.
Ele deixa a esposa, dona Zenaide, dois filhos: Jefferson e Kátia, que residem em Brasília-DF, familiares, amigos e uma legião de ouvintes que acompanharam sua trajetória.
Seu legado permanece como parte da história da radiodifusão maranhense — uma história construída com voz, carisma, criatividade e paixão pelo rádio.
