Março Azul | Especialista do Hospital da UFMA alerta sobre o câncer colorretal
A partir dos 45 anos, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) recomenda que homens e mulheres busquem um coloproctologista, gastroenterologista ou endoscopista para iniciar a prevenção do câncer colorretal. Mais do que o tratamento, a doença — que é a terceira mais comum no Brasil — pode ser evitada com acompanhamento médico e exames regulares.
A idade recomendada para o início da prevenção foi reduzida de 50 para 45 anos, seguindo evidências científicas que demonstram a importância da detecção precoce. Desde 2019, a colonoscopia de rastreamento, também chamada de colonoscopia índice, tem sido indicada a partir dessa faixa etária.
Segundo a coloproctologista do Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão (HU-UFMA/Ebserh), Rosilma Barreto, a periodicidade dos exames varia conforme os achados da primeira colonoscopia. “Dependendo dos resultados, a colonoscopia pode ser repetida anualmente, a cada três anos ou a cada cinco anos”, explica a especialista.
Março Azul: mês de conscientização
O Março Azul é o mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer colorretal, que tem a terceira maior incidência no Brasil e é a segunda principal causa de morte por câncer entre homens e mulheres.
“A grande importância dessa campanha é destacar que a colonoscopia permite a remoção de lesões pré-malignas. Se não forem retiradas a tempo, essas lesões podem evoluir para um câncer colorretal”, alerta a médica.
Prevenção e fatores de risco
A prevenção primária do câncer colorretal está diretamente ligada ao estilo de vida e à alimentação. Estudos científicos apontam que o consumo diário de 50g de carnes ultraprocessadas pode aumentar em até 18 vezes o risco de desenvolvimento da doença.
“Uma alimentação rica em fibras, aliada a uma boa ingestão de água e à prática de atividade física moderada ou intensa por pelo menos 150 minutos semanais, já representa uma grande estratégia de prevenção”, destaca a especialista.
Além disso, fatores como o consumo excessivo de álcool, o alto consumo de carne vermelha e o tabagismo também estão associados ao desenvolvimento do câncer colorretal.
Sintomas e diagnóstico
Nos estágios iniciais, a doença pode ser assintomática ou apresentar sintomas inespecíficos. “O paciente pode apresentar sangramento, especialmente nos tumores do cólon esquerdo. Em casos mais avançados, pode haver cólicas, alterações no funcionamento intestinal, como tendência à constipação. No entanto, esses sinais não são exclusivos do câncer colorretal”, explica a médica.
Ela ressalta que a presença de sangramento anal, embora não seja um indicativo definitivo de câncer, exige investigação médica. “Todo e qualquer sangramento deve ser avaliado por um especialista, que determinará o melhor exame para o diagnóstico, seja uma retossigmoidoscopia ou uma colonoscopia, dependendo dos fatores analisados na consulta”, finaliza Rosilma Barreto.
