Bye bye Maranhão. Dino viajará o país para lançar o Movimento 65

Nome do PCdoB para a disputa da Presidência da República em 2022, o governador do Maranhão, Flávio Dino, dará início a uma série de viagens por estados do Brasil com o objetivo de lançar o Movimento 65, marca do PCdoB que tem por objetivo atrair apoio de pessoas e lideranças do chamado centro político.

O lançamento do “nome fantasia” – que aposta no verde e amarelo como cores predominantes, em detrimento do vermelho, cor oficial do PCdoB – está previsto para a próxima semana e, de acordo com fontes do partido, trata-se da primeira ação da legenda com o objetivo de buscar a formação da tão falada “frente ampla” para derrotar Jair Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais.

Enquanto se busca a composição com partidos de centro, o PCdoB tenta não perder sua interação com o PT, depois de ter sido aliado nos quatro governos petistas e de ter sido o mais fiel apoiador quando a ex-presidente Dilma Rousseff enfrentou o processo de impeachment que tirou seu mandato. As rusgas com o PT têm ocorrido, embora haja tanto de Flávio Dino quanto de Lula um esforço para manter o diálogo. As divergências, no entanto, têm sido encaradas por integrantes do PCdoB como um desencontro de objetivos.

A ordem no PCdoB para os diálogos é “todos contra Bolsonaro”. Quem está contra o atual governo terá condições de participar do Movimento 65 e lançar sua candidatura pelo partido. Dino e Lula mantêm encontros na tentativa de formar uma frente ampla de partidos e lideranças empresariais contra o grupo hoje no poder.

Antes mesmo do lançamento da marca, Dino deu início à busca de diálogos antes inimagináveis em seu leque de articulações. O governador do Maranhão, por exemplo, encontrou-se com o patriarca do clã Sarney, o ex-presidente José Sarney (MDB-AP), superando divergência antiga, tanto no campo pessoal quanto da disputa política no Maranhão.

Dino abriu diálogo com as forças políticas neoliberais. Na busca da formação da frente ampla, abriu conversa com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e com o global Luciano Huck, que cogita entrar para a política, além de ter participado da costura para a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no início de 2019.

A vitória de Maia é inclusive apontada pelos integrantes do partido como uma ação bem-sucedida do diálogo com o centro e que garantiu ao partido a liderança da Minoria na Câmara durante 2019, articulação que contou diretamente com o empenho de Dino – o governador do Maranhão esteve em Brasília pedindo apoio ao integrante do DEM – e com o do então líder do partido na Câmara, Orlando Silva (SP), um dos deputados mais próximos de Maia.

Em dezembro de 2019, o Metrópoles informou a decisão do partido de adotar a nova marca em 2020, encobrindo as palavras “partido” e “comunista” de sua sigla e enfatizando o número do partido. Em recente entrevista, Flávio Dino, por sua vez, apontou a polêmica que se formou em torno do nome da legenda como “um passo que pode ser dado”. “O PCdoB de hoje já não é o do ano passado. Hoje, já não é o mesmo de 20 anos atrás, o que mostra que a mudança é uma lei da vida. Este processo está em andamento e acho que é um caminho necessário de reorganização da esquerda brasileira”, disse em entrevista ao Estadão.

A ideia inicial era mudar o nome do partido, suprimindo os dois termos. No entanto, essa discussão, que chegou a ser defendida internamente por alguns dos integrantes da cúpula do PCdoB, entre eles Orlando Silva e a vice-presidente da legenda, Jô Moares, não encontrou eco na base do partido. A adoção do “nome fantasia” representa um recuo na intenção de alguns membros da sigla de se livrar das palavras para formar um movimento mais amplo contra Bolsonaro, informa Luciana Lima no Metrópoles.

Por – Metrópoles

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