19 de abril: FAMEM destaca importância dos povos indígenas e da valorização de suas culturas
Neste Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, a Federação dos Municípios do Estado do Maranhão (FAMEM) reforça a importância de reconhecer e valorizar a história, a cultura e os direitos dos povos originários que fazem parte da identidade brasileira.
Mais do que uma data comemorativa, o momento convida à valorização da diversidade cultural e dos modos de vida dos povos indígenas, que mantêm vivas tradições, saberes e práticas fundamentais para a construção da identidade nacional.
O Maranhão abriga uma das mais ricas diversidades indígenas do Nordeste brasileiro. Espalhadas por diferentes regiões do estado, comunidades pertencentes a etnias como Guajajara, Ka’apor, Canela, Awá-Guajá, Krikati e Gavião preservam suas línguas, rituais, crenças e formas próprias de organização social, reafirmando sua presença ativa na sociedade contemporânea.
Nos municípios maranhenses, a presença indígena representa um patrimônio cultural vivo, marcado por expressões únicas de identidade, espiritualidade e relação com o território. Em muitas cidades, as aldeias fazem parte do cotidiano local, contribuindo para a diversidade social, cultural e política.
Municípios e comunidades indígenas
Diversos municípios do Maranhão convivem diretamente com a presença de povos indígenas, refletindo a riqueza cultural e a diversidade existente no estado.
Nesses territórios, as comunidades indígenas mantêm vivas suas tradições, línguas, rituais e formas próprias de organização social, contribuindo de maneira significativa para a identidade cultural maranhense.
A riqueza cultural dos povos indígenas no Maranhão também se expressa em práticas cotidianas que atravessam gerações. Em muitas comunidades, o uso das línguas originárias permanece vivo, sendo transmitido desde a infância e fortalecido no ambiente escolar.
Os rituais tradicionais, as celebrações coletivas e os conhecimentos sobre a natureza, como o uso de plantas medicinais e o manejo sustentável dos recursos naturais, fazem parte da rotina das aldeias e representam um patrimônio imaterial de grande valor.
Outro aspecto marcante é a forte relação com o território, que vai além da dimensão física e envolve espiritualidade, identidade e pertencimento. Essa conexão orienta práticas culturais, alimentares e sociais, reforçando modos de vida baseados no equilíbrio e no respeito à natureza.
Em Jenipapo dos Vieiras, onde quase metade da população é composta por indígenas, o prefeito Arnóbio Martins destaca que a relação entre gestão municipal e comunidades é construída com base no respeito e na valorização cultural.
“A integração acontece por meio do diálogo e do respeito às tradições. Na educação, temos investido em uma abordagem específica e bilíngue, com participação de membros das próprias comunidades, fortalecendo a língua e os costumes locais”, afirmou.
O município também desenvolve iniciativas que valorizam a cultura indígena, promovendo atividades que fortalecem os vínculos comunitários e preservam saberes tradicionais.
Já em Fernando Falcão, a prefeita Raimunda do Josemar reforça que o respeito à identidade dos povos indígenas é o princípio que orienta as ações da gestão municipal.
Na educação, a atuação busca garantir o acesso ao ensino nas próprias aldeias, respeitando as vivências culturais. Na saúde, as ações são desenvolvidas em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), com atendimentos realizados diretamente nas comunidades. Na assistência social, o foco está na garantia de direitos e no atendimento às famílias.

Participação indígena nas instituições
A presença indígena em cargos institucionais tem ampliado o diálogo entre as comunidades tradicionais e o poder público. Um exemplo é o trabalho desenvolvido por Lúcio Guajajara, coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena do Maranhão (DSEI). Primeira liderança indígena a ocupar o cargo no estado, ele atua na articulação entre as aldeias e os serviços de saúde.
A atuação do DSEI tem contribuído para o fortalecimento da atenção à saúde indígena, com avanços nas condições de trabalho das equipes, investimentos nas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e ampliação do número de profissionais.
Outro exemplo de protagonismo indígena na política institucional é a atuação da vereadora Letícia Krikati, eleita no município de Montes Altos, aos 19 anos. Sua presença na Câmara Municipal simboliza um avanço na representatividade indígena.
Ao falar sobre sua trajetória, a vereadora destacou o significado de ocupar um espaço de decisão e representar mulheres e povos indígenas na política.
“Hoje ocupo um espaço de decisão na Câmara Municipal de Montes Altos, levando a voz das mulheres indígenas, da juventude e do nosso povo. É um espaço que carrega um grande significado, marcado por responsabilidade e compromisso. Espero que mais mulheres indígenas possam ocupar esses lugares, fortalecendo nossa presença na política. Ser a primeira vereadora indígena do município é um marco, e sigo nessa caminhada com o apoio do movimento indígena, que é fundamental na nossa formação e na luta pelos nossos direitos.”
A diversidade cultural dos povos indígenas no Maranhão se expressa em rituais, festas tradicionais, saberes ancestrais, formas próprias de organização social e na forte relação com a natureza e o território.
Essas manifestações reforçam a importância da preservação das identidades culturais e da valorização dos conhecimentos tradicionais, transmitidos entre gerações e que contribuem para a riqueza cultural do estado.
Para a FAMEM, celebrar o Dia dos Povos Indígenas é reconhecer a contribuição histórica desses povos para a formação do Brasil e reafirmar o compromisso com uma sociedade mais justa, plural e respeitosa com suas raízes.

Municípios maranhenses com presença indígena
Jenipapo dos Vieiras
Fernando Falcão
Amarante do Maranhão
Grajaú
Barra do Corda
Itaipava do Grajaú
Arame
Centro do Guilherme
Bom Jardim
São João do Carú
Buriticupu
Santa Luzia
Açailândia
Montes Altos
