Sin­fo­nia de pan­elas às por­tas do inferno.

Por Abdon Marinho

MUNDO está em sus­pense diante desta que talvez seja a maior tragé­dia human­itária em décadas: a pan­demia do coro­n­avírus ou covid-​19.

Mesmo os cál­cu­los mais otimis­tas apon­tam para mil­hares – ou mil­hões –, de mor­tos ao redor do mundo em uma questão de meses.

Na China, onde tudo começou, com mais de oitenta mil infec­ta­dos, registrou-​se mais mais de três mil mor­tos. Lá o gov­erno ado­tou uma política de iso­la­mento da provín­cia epi­cen­tro do surto e con­trolou a pro­lif­er­ação do surto, reduzindo ou não reg­is­trando con­tá­gio interno há alguns dias.

Antes de fazer o “dever de casa”, porém, o novo corona já havia se espal­hado pelo mundo, cau­sando mortes e destru­indo a econo­mia dos países.

Na Itália, que ado­tou o iso­la­mento das cidades quando o surto se espal­hara, já reg­is­tra quase mil mortos/​dia – ultra­pas­sando o número de mor­tos ocor­ri­dos na China –, com a curva de con­tá­gio e mortes ainda em ascen­são e já sem um sis­tema de saúde que possa dar conta da demanda – por mais que se esforcem e mostrem abne­gação –, e nos fornecer números reais da tragé­dia que vem ocor­rendo naquele país.

Ainda na Europa, a Espanha, que tam­bém demorou nas providên­cias, o ritmo de con­tá­gio e mortes segue em ascen­são e não se descarta que ultra­passe, em breve, os números ital­ianos.

O Reino Unido, diante do avanço do vírus e do que vem acon­te­cendo noutros países, está revendo sua política para o enfrenta­mento do prob­lema – antes pen­savam em deixar como estava para ver como ficava.

Con­stataram que o pre­juízo em vidas humanas seria incalculável.

O ponto fora da curva na Europa, pela efi­ciên­cia no com­bate ao covid-​19, é a Ale­manha que a despeito do número ele­vado de infec­ta­dos, pos­sui um baixo número de mor­tos.

O mundo é glob­al­izado e as doenças tam­bém. Assim o vírus chegou as Améri­cas.

Nos Esta­dos Unidos, que, ini­cial­mente, apos­taram no com­bate nat­ural da doença, o vírus já infec­tou alguns mil­hares de amer­i­canos e já se con­tam em cen­te­nas os mor­tos.

Isso fez com que o gov­erno revisse sua estraté­gia e cor­resse para as políti­cas de con­tenção enquanto acel­eram estu­dos e pesquisas para encon­trar um medica­mento no mais curto espaço de tempo.

Fize­mos ligeira­mente essa panorâmica – deixando de fora diver­sos out­ros países den­tre os quais o Irã, por pos­suir uma dinâmica própria, e out­ros da Europa, Ásia e África, por se enquadrarem nos mod­e­los já referi­dos –, antes de aden­trar, pro­pri­a­mente no assunto do nosso texto.

Como era de se esperar o vírus chegou ao Brasil e cir­cula entre nós.

Ofi­cial­mente já temos mais de mil infec­ta­dos com o vírus e quase duas dezenas de mor­tos. Isso ofi­cial­mente, uma vez que só estão sendo sub­meti­dos a testes – até por sua escassez –, aque­les que apre­sen­tam algum sin­toma e estes são uma ínfima quan­tia dos que, de fato, podem está efe­ti­va­mente infectados.

Ainda assim, se levar­mos em conta os números de out­ros países e con­sid­er­amos que já somam mais de 13 mil mor­tos e um bil­hão de pes­soas em quar­entena, trata-​se de números modestos e que per­mitem, ainda, uma ação con­junta e efe­tiva das autori­dades para reduzir – ou mino­rar –, os impactos do novo coro­n­avírus no nosso país.

Infe­liz­mente, pelo que tenho visto, parece que as autori­dades fed­erais, estad­u­ais e munic­i­pais – com as hon­radas exceções de sem­pre –, não se deram conta da gravi­dade do prob­lema, ou apos­taram na solução do mesmo pelo esgotamento.

Desde o final do ano pas­sado que o coro­n­avírus vinha fazendo víti­mas na China, mas o Brasil e o Maran­hão – faço esse destaque por conta do Porto do Itaqui que recebe inúmeros navios de várias partes do mundo e daquele país, em espe­cial, além de ter­mos uma con­sid­erável pop­u­lação de asiáti­cos aqui –, con­tin­uaram a rece­ber a todos sem ado­tar os pro­to­co­los mín­i­mos de segu­rança.

No período do Car­naval, então, nem se fala, cada gov­erno querendo “se mostrar” e rece­ber mais tur­is­tas.

Isso foi há pouco mais de duas sem­anas. Até poucos dias o nosso gov­erno estad­ual “ven­dia” que tinha feito mel­hor car­naval de todos os tem­pos e que tinha colo­cado perto de um mil­hão de pes­soas na Beira-​mar, etc.

O período de Momo por aqui coin­cidia, com pouca margem, com o período de cresci­mento da doença na China.

Mas não é só, por aqui já havia um grande número de pes­soas infec­tadas pelo vírus H1N1 cir­cu­lando e fes­te­jando como se nada tivesse acon­te­cendo.

Se por aqui não mor­reu, pelo menos ofi­cial­mente, dev­ido o covid-​19, em relação ao H1N1, pelo que dizem, o quadro é des­o­lador, com reg­istro de mortes, inclu­sive de ado­les­centes.

E as autori­dades sabiam disso, não podiam eram perder a beleza da fotografia da beira-​mar lotada de gente.

Agora cor­rem para fazer com­er­cial dizendo que estão tes­tando a tem­per­atura das pes­soas que chegam no aero­porto. Por que não fiz­eram antes, durante o car­naval e em todas os aces­sos à cidade?

Não é por nada, mas pode­ria ter, per­feita­mente, já alguém infec­tado com o covid-​19 que ninguém daria conta.

Como disse acima, ofi­cial­mente, ainda temos um número baixo de infec­ta­dos, menos ainda de mortes.

Ape­sar de todo tempo que se perdeu, esse é o momento até a onde podemos fazer alguma coisa para impedir que a pan­demia tome conta do país, alcançando prin­ci­pal­mente as camadas mais pobres – que são a maio­ria da pop­u­lação –, que não têm como seguir recomen­dações de iso­la­mento e higiene e que, ver­dade seja dita, não têm nada com o prob­lema.

Mas Isso só acon­te­cerá se hou­ver entendi­mento entre as autori­dades nas três esferas admin­is­tra­ti­vas: fed­eral, estad­u­ais e munic­i­pais.

Algo que seria óbvio, em momento de crise como esse, parece o mais difí­cil de se conseguir.

Enquanto nos Esta­dos Unidos o pres­i­dente já anun­ciou que os par­tidos (Democ­rata e Repub­li­cano) e ainda os inde­pen­dentes, estão tra­bal­hando em con­junto para tirar aquele país da situ­ação em que se encon­tra, fazendo questão de nom­i­nar os líderes políti­cos da oposição com que tem tratado, por aqui, a pop­u­lação não tem só que se pri­var de tudo para evi­tar o con­tá­gio, tem, ainda, que assi­s­tir a troca de acusações e a guerra de egos das autori­dades.

O pres­i­dente da República brig­ando com os gov­er­nadores e estes com o pres­i­dente, tudo para tirarem van­ta­gens políti­cas e pes­soais, como se não tivessem 210 mil­hões de brasileiros no meio da con­fusão.

Acred­ito que mesmo o mais fiel ali­ado do atual pres­i­dente já saiba que ele (o pres­i­dente) é o prin­ci­pal inimigo do seu gov­erno – con­forme já disse aqui mesmo algu­mas vezes.

Lá atrás, bem antes das eleições de 2018, reg­istrei o desas­tre que seria o país ser dirigido a par­tir dos extremos; quando decidi­ram que segundo turno seria dis­putado entre os extremos, reg­istrei que tinha se dado “perda total”, e con­sciente disso, no dia do segundo turno das eleições, fiz o que a minha con­sciên­cia man­dou: não sai de casa.

Desde que assumiu o comando do país o atual pres­i­dente sab­ota o gov­erno, ora, atra­pal­hando as refor­mas estru­tu­rais, necessárias e urgentes; ora, ten­tando, e con­seguindo, “queimar” algum min­istro que possa lhe fazer som­bra no futuro; ora, fazendo ou dizendo tolices.

Quando não é ele é algum dos três fil­hos pate­tas ou os três ao mesmo tempo.

Na atual pan­demia o pres­i­dente con­tin­uou fazendo o que sem­pre fez desde que assumiu: sab­o­tar o gov­erno e as impor­tantes medi­das e providên­cias que os seus min­istros estão adotando.

Cientes desta frag­ili­dade do pres­i­dente – não do gov­erno, que vem, den­tro de suas atribuições e lim­i­tações, dando as respostas necessárias –, alguns gov­er­nadores, de forma opor­tunista, e sem que ten­ham feito o dever de casa, apos­tam no con­flito e na bal­búr­dia para se pro­moverem politi­ca­mente a suces­sores do atual pres­i­dente.

Nos Esta­dos Unidos, onde as eleições pres­i­den­ci­ais acon­te­cerão em novem­bro, estão todos os par­tidos unidos para sal­var o povo é evi­tar mortes.

Todos esque­ce­ram as difer­enças políti­cas, os inter­esses pes­soais, para se sub­me­terem aos inter­esses da pop­u­lação e do país.

No Brasil a eleição pres­i­den­cial será só daqui a três anos, por isso choca que alguns políti­cos de oposição ao atual gov­erno, dire­ta­mente ou através de seus adu­ladores, inclu­sive da mídia, ten­tem por todas as for­mas explo­rar a tragé­dia para se pro­moverem.

Até tomam medi­das que ben­e­fi­ciam a pop­u­lação, não duvido, mas alguns estão “jogando” com a des­graça alheia para se ben­e­fi­cia­rem política e pes­soal­mente. Isso está bem claro.

Choca mais ainda é ver a pop­u­lação divi­dida em alas aplaudindo os malu­cos de ambos os lados sem saberem o dia de amanhã.

Não é aceitável ou razoável que em plena pan­demia, ao invés de todos se unirem, faz­erem reuniões e bus­carem as mel­hores alter­na­ti­vas para sal­varem a pop­u­lação da tragé­dia, inclu­sive, seguindo os exem­p­los de out­ros países, se ocu­pem de ali­men­tar movi­men­tos divi­sion­istas, pre­gando impeach­ment, pro­movendo, lit­eral­mente, uma sin­fo­nia de pan­elas às por­tas do inferno, como o sofri­mento dos menos favore­ci­dos não pas­sasse de um detalhe no cál­culo eleitoral.

O desastrado pres­i­dente que temos não jus­ti­fica que usem o tal do covid-​19 como cabo eleitoral para servir aos inter­esses dos desqual­i­fi­ca­dos, opor­tunistas e ine­scrupu­losos.

Tratem o Brasil com respeito!

Abdon Mar­inho é advogado.

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