Lobão diz que é inocente e chama delatores de “Judas” dos tempos modernos

Judas foi inscrito na história da humanidade como sinônimo de traição, e desse modo se perpetuou. Silvério dos Reis abriu, no Brasil, a temporada dos traidores, seguido por outros e mais outros.

Nos nossos dias aquele vocábulo foi substituído por outro não menos execrável – delator – mas com sonoridade menos ofensiva aos ouvidos. Ainda assim, tratou o legislador de ser-lhe mais condescendente, designando-o pomposamente de “colaborador da Justiça”.

Pois é pela ação auto-defensiva desse tipo de gente que após tantos anos vividos vejo-me agora a braços com o MP e a Justiça. E não contente com o que fazem a mim, lançam tentáculos venenosos ao meu filho e a minha nora apenas por conta dos laços familiares. Constroem cenários, levantam hipóteses, imaginam situações. Não se enfadam nunca. Os delatores precisam salvar-se. E salvar o deles!!

CRIME IMPOSSÍVEL

De que me acusam os delatores, nisto acolhidos pelo MP e pela ilustre senhora juíza do Paraná?

1 – Ter recebido vantagem indevida, em nome do PMDB, “em razão da interferência e direcionamento na contratação do Consórcio Construtor Belo Monte”.
Impossível.
O consórcio construtor é precedido pelo consórcio investidor, ao qual se chega através de uma licitação ampla e livre, com a presença de todos os interessados e de quem mais pretenda comparecer.
O vencedor do certame recebe da União Federal, depois de homologado pela ANEEL a respectiva licitação, por ela mesma realizada, a concessão do trecho respectivo do Rio Xingu onde ergue a hidrelétrica e a partir daí explora economicamente a energia produzida.
A assinatura do ato meramente formal de concessão é do Ministro. Pois nem este, assinei. Na ocasião, ministro já não era mais.
Oficializada a concessão, cabe exclusivamente ao concessionário escolher uma construtora ou um conjunto delas e também com elas acertarem as questões econômicas e financeiras. Afinal, quem arcará com todo o custo da obra é o investidor e não o Governo.

2- Que eu teria atuado em favor da Celebração de aditivos.

Não atuei e não poderia. Trata-se da exclusiva competência do consórcio investidor. Custos decorrentes de aditivos são suportados pelo investidor q por isso julga o q convém e o q não convém aos seus interesses.

Ao lado desses absurdos, há ainda as contradições dos delatores, uns afirmando que solicitei vantagens indevidas e outros q tais vantagens me foram oferecidas; outros alegando vantagens pessoais e outros ainda indicando que quase todos os pagamentos se destinaram a campanhas eleitorais.

Vi tudo no processo, entumecido de contradições e falsidades.

Li tudo.

Lembrei-me então dos ensinamentos do meu professor na Faculdade de Direito a respeito da teoria do “Crime Impossível”.

Exemplicava o mestre com a simulação de um caso.

Alguém fora assassinado com um tiro certeiro de revólver. Preso , no momento , o suposto assassino, este exibiu uma arma de brinquedo da qual nenhum petardo poderia ser disparado, ou seja, aquele cidadão não poderia ter cometido tal crime.

Assim se dá comigo.
Sou inocente.
Meu filho é inocente.
Minha nora é inocente .
Todos somos vítimas de uma urdidura infame.
Nem por isso somos aliviados do peso sufocante das acusações e das medidas judiciais injustas já tomadas. Máxime em relação à minha nora e o meu filho q amargam e sofrem.

Amargam e sofrem por um delito q nenhum de nós praticou.

Ah! Os delatores.

Eu já me esquecia deles.

Judas dos tempos modernos.

Delinquentes confessos.

Afogados em sua própria peçonha, eles careciam associar-se a alguém nos seus mal feitos.

Escolheram um ministro. E ninguém melhor do que o ministro da área. Ministro de Energia. Ministro que em apenas seis anos de administração conseguiu liderar uma equipe que planejou e viu serem construídas linhas de transmissão e fontes geradoras de energia em volume semelhante à 20% do que se fez ao longo de cem anos de esforços.

Antes disso, o país teve o infortúnio de passar por um racionamento de energia elétrica e por apagões sucessivos.

Lembram-se?

O pré-sal, outro marco garantidor do fornecimento atual e futuro de combustíveis aos brasileiros, além de prestígio interno e externo, gerou bilhões de dólares ao tesouro com a venda de blocos exploratórios.

Eu era, o ministro ideal para o sacrifício pretendido. O cordeiro a ser imolado como homenagem aos Deuses do horror.

Foram encontrar um ministro, também senador, a ser lançado ao descrédito e ao opróbrio.
Para eles deu certo.

Flanam por aí com os bolsos cheios, enquanto eu, meu filho, minha nora, minha mulher temos os nossos bens e contas bancárias – e até aposentadorias e planos privados de proteção à velhice – bloqueados.

E ainda somos multados em valores estratosféricos.

Diga-se mais: não possuo uma simples caixa de fósforos que não obtenha correspondência nos rendimentos obtidos ao longo de 70 anos de trabalho incessante.

A que ponto chegamos.

Parece haver solta por aí uma força demoníaca a infernizar a vida de todos.

Oh mundo!!!
Oh tempos!!!

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