Eduardo Braide: “Consórcio só existe para manter-se no poder”

Por Thiago Bastos – O Estado – Editoria de política

O pré-candidato a prefeito de São Luís, Eduardo Braide (Podemos), voltou a defender, em entrevista exclusiva à O Estado, que está em andamento a construção do chamado “consórcio”, que seria um polo de candidaturas ligadas a aliados do Governo do Maranhão.

O filiado do Podemos disse ainda que sua base de apoio (atualmente formada pelo PMN, PSD e PSC) deve ser ampliada, não deu sinais de que tentará incluir o PSL em seu palanque e fez duras críticas à atual gestão pública municipal.

Por fim, o pré-candidato defendeu a promulgação da Emenda Constitucional nº 107, que modificou a data das eleições deste ano em primeiro e segundo turnos e citou (por conta própria) medida que será, de acordo com ele, adotada na área da saúde caso seja eleito.

Braide comentou ainda sobre representação sofrida por ele e ajuizada no mês passado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) por possível propaganda antecipada e se referiu à “máquina” a ser usada por adversários contra a sua pré-candidatura.

Em 2016, na eleição majoritária, seu nome foi a surpresa do pleito, pela ascensão a partir de um partido com estrutura modesta e pelas prévias que não estimavam seu crescimento. Em 2020, o senhor é considerado favorito a ganhar o pleito no primeiro turno. O que mudará na estratégia de campanha com esse peso novo a seu nome?

Sempre ouvi dizer que tem duas formas de se perder uma eleição: uma é achar que já ganhou e a outra é achar que não tem chance de se eleger. Por isso, sigo com os pés no chão, trabalhando com o firme propósito de apresentar um programa de governo que mude de verdade a vida das pessoas.

Em seu primeiro discurso no ato de filiação no Podemos, o senhor falou em independência política. No entanto, políticos ligados ao Palácio dos Leões sempre tentam ligar o seu nome à família Sarney. O senhor, de fato, tem apoio da família? Como o senhor recebe essa tentativa de ligação de seu nome?

A minha independência é a que me dá a liberdade de conversar com todas as forças políticas que queiram, assim como eu, o bem de São Luís. Em 2020, está mais do que claro a formação de um consórcio por um grupo que tem um único objetivo: manter-se no poder. Portanto, todos os que quiserem o bem de São Luís serão bem-vindos nessa caminhada.

Por que razão o senhor defende a ideia de que está em andamento a formação de um consórcio de candidaturas ligadas ao governo maranhense e criado especificamente para minar a sua candidatura?

O consórcio é defendido abertamente pelo próprio governo e eles não fazem questão de esconder isso.

Antes do Podemos e ao ser confirmada sua saída do PMN, foi cogitada fortemente sua ida para o PSL que, à época, continha o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. O senhor de fato negociou sua ida para o PSL? E o senhor não aceitou ir aos quadros para não ligar seu nome ao do presidente?

Recebi o convite de vários partidos, dentre eles, o PSL. Contudo, sempre entendi que precisava estar filiado a um partido que me garanta a independência que tanto prezo. Temos que parar de discutir pessoas e debater as ideias.

Nas eleições de 2016, o senhor chegou a dizer que a estrutura de campanha de seu adversário à época, o atual prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT), foi a responsável por sua derrota em segundo turno. O que o faz pensar que essa estrutura disponível a candidaturas ligadas ao Palácio dos Leões não pesará novamente contra o senhor?

O povo de São Luís está cansado de quem só aparece para trabalhar em ano de eleição. Neste ano, ainda que tenhamos de um lado a força da máquina, do outro está a força do povo. E eu confio na força no povo.

Sua base de apoio atual possui partidos com representatividade aquém de outras legendas, como o próprio PMN, o PSC e o PSD. O senhor não teme que isso enfraqueça seu projeto de candidatura?

Agradeço ao PMN, PSD e PSC que entenderam que temos o melhor projeto para São Luís. Permaneço conversando com outras legendas e até o período das convenções o nosso time estará ainda maior.

Qual a sua opinião acerca do adiamento das eleições?

Sempre defendi que essa não deveria ser uma decisão política, mas guiada pela ciência. Como todos os especialistas ouvidos nesse debate afirmaram que o melhor para segurança da população seria o adiamento, caminhamos no mesmo sentido. Acima da política está a vida das pessoas.

O senhor, quando possível, faz críticas duras à gestão pública municipal em São Luís. Por que o senhor defende a ideia de que a administração atual não atende às expectativas da população?

Porque a população foi enganada. Cadê a maternidade da Cidade Operária? Cadê o Hospital da Criança? Onde estão as 25 creches? Cadê o wi-fi dos ônibus? Ficou tudo na propaganda.

Em junho deste ano, o MP representou contra o senhor por propaganda eleitoral antecipada por considerar um vídeo seu gravado para o Dia das Mães uma forma de autopromoção. O que o senhor tem a dizer sobre isto?

Faço homenagem às mães há muito tempo sem nenhum cunho eleitoral. É importante a atuação vigilante do Ministério Público. Tenho certeza que o mesmo MP permanecerá vigilante em relação a qualquer abuso cometido neste ano.

Por fim, quais os seus projetos, por exemplo, para a área da saúde, cujo setor está no foco das atenções no âmbito municipal no combate à pandemia?

A saúde sempre foi uma prioridade para mim mesmo antes da pandemia. Por isso, há vários anos apoio o Hospital Aldenora Bello e a Apae, destinei recursos à Santa Casa e ao Município de São Luís, a exemplo do Socorrão I, Hospital da Criança, Hospital da Mulher, além de recursos específicos para o combate à pandemia.

Quanto aos projetos, é fundamental ampliarmos o índice de cobertura da atenção básica, o que irá desafogar os atendimentos na média e alta complexidade. E já posso adiantar o Programa “Parceiros da Saúde” que ampliará, já nos primeiros dias de governo, o atendimento às pessoas em diversas áreas.

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