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Programa federal direciona investimentos para a segurança pública do Maranhão

O Maranhão foi representado no lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, nesta terça-feira (12), em Brasília. O governador do Maranhão, Carlos Brandão, liderou a comitiva maranhense no evento que assegurou uma nova etapa da política nacional de enfrentamento às facções criminosas, com foco na asfixia financeira das organizações, fortalecimento do sistema prisional e integração entre estados e União. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva estiveram no lançamento do programa federal.

Com investimento direto de R$ 1,6 bilhão ainda este ano e previsão de uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões por meio do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social (FIIS), o programa prevê ações integradas para reduzir a capacidade operacional das facções criminosas em todo o território nacional.

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, pontuou que o programa é resultado de uma construção coletiva entre os estados e o Ministério da Justiça, a partir de uma série de conversas realizadas com governadores e secretários de segurança pública.

“Foi um importante encontro fruto de várias reuniões de governadores que a gente teve com o Ministério da Justiça. Cada governador apresentou suas propostas em diálogo com os secretários de segurança. Esses estudos foram para o Governo Federal formular uma proposta de mudança na legislação federal”, declarou.

Brandão enfatizou que um dos principais desafios enfrentados atualmente é a reincidência criminal e a rápida soltura de integrantes de facções. Para ele, o fortalecimento da legislação e o bloqueio financeiro das organizações criminosas serão fundamentais para reduzir a sensação de impunidade.

Linha de Crédito

O Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê recursos distribuídos em quatro eixos: R$ 388,9 milhões para ações de asfixia financeira; R$ 330,6 milhões para o eixo do sistema prisional; R$ 201 milhões para esclarecimento de homicídios; e R$ 145,2 milhões para ações de enfrentamento ao tráfico de armas. Além disso, o Governo Federal está criando uma linha de crédito específica para a segurança pública no valor de R$ 10 bilhões.

O chefe do Executivo maranhense destacou os impactos financeiros positivos do programa para os estados. Segundo o governador, a nova linha de crédito permitirá ampliar investimentos em estrutura, tecnologia e reaparelhamento das forças de segurança. “Isso vai facilitar que os estados façam seus investimentos. O presidente vai colocar R$ 1 bilhão à disposição e vai liberar cerca de R$ 10 bilhões, através do BNDES, para melhorar o sistema de segurança”, disse.

Ao apresentar o cenário do Maranhão, o governador ressaltou os investimentos já realizados pelo Governo do Estado nos últimos anos, incluindo a compra de mais de 900 viaturas, contratação de aproximadamente 1.500 profissionais da segurança pública, entre policiais militares, civis, delegados e escrivães, além de ações de reestruturação administrativa e valorização das forças policiais.

O delegado-geral da Polícia Civil do Maranhão, Augusto Barros, avaliou que o programa chega em um momento estratégico para consolidar os avanços já realizados pelo Governo do Maranhão.

“Em alinhamento com as ações do Governo do Estado, que vem conseguindo reestruturar a parte predial, viaturas e parque tecnológico, esse programa vai, não apenas abrir linhas de financiamento para que esses investimentos continuem, como também, vai trazer um estudo detalhado sobre como atacar financeiramente e com efetividade as organizações criminosas”, observou.

O subsecretário de Estado da Segurança Pública, Ederson Martins, destacou que o programa fortalece a integração nacional no enfrentamento ao crime organizado.

“Mais um importante passo na segurança pública do Estado do Maranhão, através do governador Carlos Brandão, que aderiu ao programa. Vai nos ajudar muito, não só no aspecto financeiro, financiando o que a gente já faz no nosso estado, mas melhorar nosso aparato de inteligência e tecnológico, fortalecer nossas equipes de segurança — Polícia Civil, Militar e Perícia Oficial —, como vai ajudar com networking e troca de informação”, relatou.

Durante o lançamento, o presidente Lula ressaltou a necessidade de atuação conjunta entre os entes federativos. Segundo ele, o governo federal não pretende ocupar o espaço das forças estaduais, mas atuar em cooperação permanente. “O dado concreto é que se a gente não trabalhar junto, a gente não consegue vencer. E o crime organizado se aproveita da nossa divisão”, afirmou.

Programa Brasil Contra o Crime Organizado

O Programa Brasil Contra o Crime Organizado prevê investimentos em tecnologia, inteligência e integração das forças de segurança, permitindo que estados e municípios acessem recursos para aquisição de viaturas, drones, sistemas de videomonitoramento, equipamentos de perícia, scanners corporais e outras estruturas voltadas ao combate às facções.

A iniciativa também fortalece as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), estabelece operações mensais integradas e prevê a implantação dos Comitês Integrados de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRAs).

Entre os principais eixos estão a asfixia financeira do crime organizado, o reforço da segurança prisional, a qualificação das investigações de homicídios e o enfrentamento ao tráfico de armas. O Governo Federal ainda pretende transformar 138 unidades prisionais em presídios com padrão de segurança máxima, ampliar o controle sobre lideranças criminosas e fortalecer as polícias científicas, os Institutos Médico-Legais (IMLs) e os sistemas nacionais de rastreamento e investigação de armamentos ilegais.

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